segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

a inversa proporcionalidade da felicidade


"Naresh  era corajoso, inteligente, trabalhador e meigo com as crianças. A sua barraca não era muito maior do que a minha, mas ele partilhava-a com os pais e os seis irmãos. Dormia cá fora, no chão áspero, para deixar mais espaço para os mais novos. Eu visitara-o várias vezes e sabia que tudo o que possuía no mundo estava num saco de plástico: uma muda de roupa, um par de calças boas e uma camisa para ocasiões formais e para visitar o templo, um livro de versículos budistas , várias fotografias e alguns artigos de higiene. Mais nada. Dava à mãe todas as rupias  que ganhava no trabalho ou em roubos insignificantes, pedindo apenas uns trocos de vez em quando. Não bebia, fumava ou jogava. Como homem pobre sem grandes perspectivas, não tinha namorada e apenas uma muito reduzida hipótese de conseguir uma. Permitia-se, quando muito, uma ida ao cinema mais barato com os colegas de trabalho uma vez por semana. Ainda assim, era um jovem alegre, optimista. Às vezes, quando eu regressava tarde ao bairro, via-o a dormir fora da barraca da família, o seu rosto jovem e magro relaxado num sorriso".

Roberts, Gregory David in Shantaram, ed. Quidnovi, pág. 229 e 230


Happiness in intelligent people is the rarest thing I know.

 Ernest Hemingway

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