terça-feira, 30 de dezembro de 2014

parece que a culpa é de Saturno...


Ando quieta, sem paciência, sem forças ou coragem, calada, triste, introspectiva, anti-social, chorosa até, o que me tira do sério pois nunca fui de chorar... Julguei que fosse por este mal estar que teima em não passar, que fossem as desilusões, as perdas. Julguei que fosse do Inverno, da quadra natalícia que me rasga de dor pela ausência dos que já partiram. 
Aparentemente a culpa é de Saturno e seus anéis. Esse planeta a incontáveis anos luz está a foder-me à distância, e o pior é que não estou a desfrutar.... Segundo a astróloga (se os imperadores podiam ter uma eu também posso, ok?) esse cabrão, que é uma péssima influência, está a atravessar o meu ascendente e isso parece que não é bom. Na verdade o gajo já lá anda há dois anos, e, diz-me a senhora, que não deveriam ter sido dois anos fáceis (a acertar o passado é competente, confirmo). A boa notícia é que já no início do ano o gajo vai pregar para outra freguesia, que é como quem diz para outro signo, pode ser que então eu volte a gostar de pessoas... 

Há mil e uma formas de os nossos corpos se encaixarem...



Quidam by Cirque du Soleil

sábado, 20 de dezembro de 2014

ma kind of diva...

pedaços de ti...


De noite só quero vestido
o tecido dos teus dedos

e sobre os ombros a franja
do final dos cabelos

Sobre os seios quero
a marca
do sinal dos teus dentes
e a vergasta dos teus
lábios
a doer-me sobre o ventre
Nas pernas e no pescoço
quero a pressão mais
ardente
e da saliva o chicote
da tua língua dormente

 
Maria Teresa Horta

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Das mãos que me embalam...


quisera beijar as tuas velhas mãos uma vez mais. Quisera aquecer os meus dias com o calor dessas tuas mãos. As mãos que sempre me acolheram. As mãos que me guiam...

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

million dollar question...


"Se pudesses ser feliz, verdadeiramente feliz, por pouco tempo, mas soubesses desde o início que essa felicidade terminaria em tristeza e te traria dor, escolherias experimentá-la ou evitá-la-ias?"

Karla Saaranem, in Shantaram 

domingo, 14 de dezembro de 2014

hoje é dia de distribuir presentes...


(e reviver aquele mítico 7/10/2010 saberia tão bem num dia como hoje...)

em todas as ruas te perco...






Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto    tão perto    tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 

Mário Cesariny, in "Pena Capital"

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Do sono que embala os sonhos...




Já dormi em comboios, já dormi em aeroportos. Já dormi numa discoteca, complemente sóbria. Já dormi de noite na praia, embalada pelo som do mar, e de dia com o sol a queimar a pele. Já dormi em camas frias. Tendas. Hotéis luxuosos, hostels manhosos. Já dormi com quem queria e com quem me queria. Já dormi nua. Já dormi de sapatos. Já dormi vestida apenas com dois braços, num abraço que aquecia corpo e alma. Já dormi para não pensar, já dormi para não sentir, já dormi apenas para sonhar. Já dormi a chorar. Já dormi a sorrir, a falar. Já dormi no meio do deserto debaixo das estrelas. Já dormi com quem sonhei. Já dormi com quem me sonhou. E durmo e sonho e nos sonhos dormidos nada dói, tudo passa.


terça-feira, 9 de dezembro de 2014

naufrágios....



"Alguns amores são assim, a maioria deles, pelo que vejo. Começas a sentir o coração como se este fosse um barco salva-vidas a abarrotar. Para que ele flutue, é necessário atirares o orgulho borda fora e, a seguir, a tua independência. Após algum tempo, começas a libertar-te das pessoas: conhecidos, amigos, mas ainda não é suficiente. O barco salva-vidas continua a afundar-se e sabemos que nos vai arrastar com ele".


Karla Saaranem, in Shantaram 

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

ready or not*


* I’ve learned, from Aaron and my father’s death and my mother’s graceful entrance into widowhood, that this is what being an adult is: doing everything before you are ready. There is no syllabus for life that helps your graduate to the next event. It is happening all around you, all the time. This life itself is the lesson and the test and there is no honor roll, just the sum of your relationships and actions and how you feel when you lay down to go to sleep at night.
I thought I was ready to say goodbye to Aaron. “It’s okay,” I told him, “I’ll be okay.” Every labored breath was truly work for his body. The pain of a brain tumor was so immense that he was on a list of narcotics I’d only heard about drug addicts using. 
The moment he was gone, I wasn’t ready anymore, and I was filled with a crippling sense of doubt. Was I good enough for you? Did I make this easy enough? Why did I get mad at you for forgetting garbage day??
I’m not ready for the big, empty space in our bed. I’m not ready to go to the Sleater-Kinney show without him. I’m not ready to watch The Walking Dead or to tell a bright, inquisitive toddler that his papa is in his heart, not in our bedroom sleeping. 
I’m not ready, but I learned how to reconnect our AppleTV. I changed the filter on our furnace and cleaned our dehumidifier. I booked a trip to Lutsen, Minnesota, our anniversary destination, even though he won’t be sitting beside me in the front seat, criticizing my music choices and my driving. 
I’m not ready for a world where my father and Aaron aren’t here, where Ralph doesn’t have a new sibling arriving in April. But that’s the world I have and that is LIFE: ready or not, here it comes. Exactly as it wants to.
A história conta-se em duas linhas, um grande amor abruptamente interrompido pela doença. O blog, conta-nos mais, muito mais, uma deliciosa história de amor e companheirismo, de luta e morte e por fim sobrevivência de um amor que perdurará mesmo depois da partida. Um blog para sorrir e chorar. Aqui.



quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

trechos de uma história de amor...


Quatro anos depois do momento que ditou o fim abrupto de uma relação intensa e que durou doze anos, ela, encorajada pelo álcool, enviou-lhe uma mensagem a dizer que precisavam falar. Porque há conversas que não prescrevem. Ele tentou resistir, mas sabia que era inevitável. Ela mexia demasiado com ele. Sempre mexeu. E quatro anos não chegam para apagar tudo o que ele sentia por ela. Encontraram-se. Choraram, riram, falaram por horas. Aquele ódio que ambos diziam sentir, perdeu a máscara e acabaram nos braços um do outro. Era amor. Continuaram, de mãos dadas o seu caminho, como se este interregno de quatro anos nunca tivesse existido.

Parece um trecho de um qualquer romance piroso e lamechas da Nora Roberts ou de Nicholas Sparks, mas não, é a vida real a acontecer. Porque a realidade supera muitas vezes a ficção, sobretudo no amor...